terça-feira, 7 de setembro de 2010

''Adeus'' em Vida

Os seres humanos tem seus sonhos mutilados e quase sempre não percebem.
Mutilam também a cada segundo o sonho do outro com a ousadia e incredulidade de não ser um assassino. Não são e não somos julgados pelo nosso crime.
Assassinamos impiedosamente quando damos o ultimato. Roubamos seus desejos, a vitória que poderia ser vivida, sorrisos, a alegria contida nos olhos, teu brilho.
Somos incapazes de nos intimidar diante de tanta imperfeição e egoísmo. Atrofiamos quem mais amamos, quando nossos olhos não enxergam seus horizontes, a vastidão contida em sua alma. Suas palavras são negadas aos nossos ouvidos, teu pranto não nos são ouvidos.
Matamos ou morremos friamente, sem nos dá o luxo de sermos enterrados, ou soterrados em nossa miséria psíquica.
Temos a consciência de que morremos quando nos perdemos de nós mesmos e passamos a nos entregar ao acaso. Ao acaso da sorte, da morte.
Sorrimos aos nossos incrédulos assassinos.
Roubam-nos o direito de expressão, de ser amados. Quando omitimos roubamos do outro, o direito à verdade. Quando julgamos ou simplesmente interrompemos roubamos o direito à defesa.
Negamos à sua integridade o alívio das perturbações psíquicas, e ainda caminhamos com passos lentos.
Seres humanos 'mortos' esfacelam a si e aos outros.
Mas quem serão nossos assassinos?
Sorrimos pra eles e rompemos conosco para que possamos nos apoiar no que restou dos nossos escombros. Com a alma invadida nos limitamos, e com o que nos restou, tornamo-nos assassinos de nós mesmos.
Esfacelados, covardemente permitimos a nossa morte, um pouco a cada dia.
Morremos lentamente, conscientes.
Will

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