Parece que sou movida a tinta. Se encontro uma caneta e um espaço no papel, trato logo de preenchê-lo ou quem sabe, esvaziar-me. Não me questiono se tenho o que escrever, na verdade eu sempre tenho. E assim, me coloco na minha mais perfeita nudez, me ocupo deste espaço vazio. Às vezes me pergunto por que escrevo tanto? Se eu estiver triste com minhas idéias desobedecendo à razão desfaço de todas minhas angústias como se elas fossem explodir dentro do meu peito. Se eu estiver feliz elas mal cabem em mim e, também as extravaso para que talvez possa revivê-las. Dores, decepções, meus amores, meu ser. Humanizo o mundo e me desumanizo. Extraio o resto do meu bem querer, se a ninguém cabe receber de que me adianta cultivá-lo. Muitas vezes fico calada só analisando o meu ser. O que me faz tanta falta que muitos momentos quero sumir? Porque cada vez acredito menos no mundo? Também estaria exposto à incredulidade e não estaria salvo da hipocrisia? Sei que quando escrevo, o faço apenas, pra limpar minha alma que sempre chora querendo desabafar. Mas não quero expor minhas idéias que muitas vezes nem sei se são idéias, ou apenas amontoados de coisas que fico remoendo dentro de mim. Então se ninguém acredita em nada porque tenho eu que acreditar e planejar alguma coisa pra que nada morra. Parece que é melhor me enrolar com meus pensamentos, como se estivesse debaixo de um edredom, a ficar entupindo o cérebro dos outros. Sempre que resolvo arrumar as gavetas encontro pedaços de meus pensamentos e esquecidos dentro de livros. Bom, parece que escrevi foi aquele dia, porque na verdade os dias não mudam, quem muda é só nosso espírito. Minha alma, vezes tem vestes alegres, outras, não consigo nem enxergá-la. O mundo corre solto e se você não quiser ser esmagado por ele é melhor correr e se esconder. Na verdade, quando escrevo eu não escrevo pra ninguém, apenas quero esvaziar essa combustão prestes a explodir. Um vulcão de palavras que jorram esquentando o sangue que corre, ou o jato de tinta que percorre minhas veias. Já me entendi melhor quando reli pedaços de meus pensamentos encontrados nos livros. Estaria eu, despindo-me neste pensamento, ou estaria apenas perdida no espaço vip de minha memória? E se o que jorra nos impede de ser, posso então deitar e não mais respirar, pois, extravasar a felicidade é descarregar a nudez sem a intolerância dos olhos aflitos, da ‘peste’ a balbuciar procurando os meios pra se justificar. E paro só pra pensar no que fortalece minha alma até meu corpo. E, descubro que eu faria ranger os dentes novamente. Então minha alma se colore, aqueço minha tinta e extravazo novamente em mim. Se não há papel, deixo solto, às vezes, escrito na mente. Quando estou leve escrevo, se me sobrecarrego, também paro e escrevo. Nada detém a mão dos meus pensamentos. Ao dormir, consigo no despertar, reler meus traços em mente, às vezes, direciono visivelmente ou deixo perdido no dia, porque logo em seguida o meu vulcão entrará em erupção, como se eu precisasse ser dividida...
Segue-se ainda.....
Will
Segue-se ainda.....
Will
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