segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Você e o outro

Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania.
Depende de quando e como você me vê passar.
(Clarice Lispector)


Realmente, tudo na vida depende... depende de como estamos ao viver o fato... de como reagimos ao ocorrido... de quando isto acontece... e da repercussão que tem a nossa volta.


Às vezes algo que seria arrasador passa como uma experiência tranqüila, enquanto algo simples de repente se transforma numa situação limite e desafiadora.


Essa é a grande sabedoria a ser absorvida. Ser o que somos em essência e percebermos que a forma como estamos sendo interpretados, pode não retratar a nossa verdadeira intenção, pois a visão do observador pode ser equivocada.


E da mesma forma que em alguns casos engrandecerão nossas atitudes, vendo em nós amizade, força e coragem; em outros poderão nos taxar de mesquinhos, fracos ou insinceros.


Quem observa usa sua própria medida para avaliar o que vê. Assim o crivo de sua sentença passará sempre pelos seus receios e por suas ilusões mais profundas.


É muito complicado entender o ser humano. Nós também utilizamos nossos pesos e medidas para interpretar a ação do outros. É o que conhecemos... fica difícil usar outros parâmetros.


Mas como disse, ai está o aprendizado... devemos quebrar paradigmas... nos livrar de vícios mentais que nos faz crer que cada atitude tem sempre uma única explicação.


As pessoas são diferentes uma das outras e estão sempre em evolução o que significa que não há regras e a cada instante seremos aquilo que o outro consiga ver em nós.


Que possamos abrir nossos olhos, envoltos em boa vontade, ao observarmos as atitudes de nosso próximo, procurando ver o lado bom de suas ações e caso não seja possível, não nos deixemos contaminar por julgamentos precipitados, e sensações ruins.


Ao observar alguém lembre-se: Cada um é como você vê...
(Espaço clarear)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Nada sei

O que se tornou o homem à procura de sua realização?
Deveras, uma contradição de seus princípios, um corre-corre em uma busca perdida pra aumentar a potência. Tudo que pode ser encontrado escorrerá pela goela abaixo, quando se reencontrar perdido no nada. No que meramente foi desapropriado pelo descaso da inquietação. O que a humanidade espera em encontrar, depois de tanta sonegação? É preciso ter mais cores no arco-íris da vida. Não se sabe reencontrar quando se perde na estrada da busca. São feitos do nada, são desfeitos em si mesmo pelo egoísmo, e da carência daquilo que os completam. Que horror! Não se sabe mais a medida de um olhar, das palavras que os olhares escrevem, da diferença espessura de lágrimas, do silêncio que se quer ouvir, substituido, e aquele que quer falar. Da pergunta que precisava ser feita, do momento certo de sair. É preciso não desenhar formas de pessoas, serem movidas de dentro pra fora, não na ânsia de corrigir sua grandeza. Não ser escravo de pouca covardia. É preciso não mudar a face quando se trata de potência, deixar a robustez escorrer. Retocar a agenda, incluir horários, pessoas e arrancar registros cheios. Esvaziar a lixeira, sobressair dentro de si e ser tocado lá fora. Limpar a lixo, os olhos, não retocar o verniz quando se encontra.
Will

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Retrato Falado

Parece que sou movida a tinta. Se encontro uma caneta e um espaço no papel, trato logo de preenchê-lo ou quem sabe, esvaziar-me. Não me questiono se tenho o que escrever, na verdade eu sempre tenho. E assim, me coloco na minha mais perfeita nudez, me ocupo deste espaço vazio. Às vezes me pergunto por que escrevo tanto? Se eu estiver triste com minhas idéias desobedecendo à razão desfaço de todas minhas angústias como se elas fossem explodir dentro do meu peito. Se eu estiver feliz elas mal cabem em mim e, também as extravaso para que talvez possa revivê-las. Dores, decepções, meus amores, meu ser. Humanizo o mundo e me desumanizo. Extraio o resto do meu bem querer, se a ninguém cabe receber de que me adianta cultivá-lo. Muitas vezes fico calada só analisando o meu ser. O que me faz tanta falta que muitos momentos quero sumir? Porque cada vez acredito menos no mundo? Também estaria exposto à incredulidade e não estaria salvo da hipocrisia? Sei que quando escrevo, o faço apenas, pra limpar minha alma que sempre chora querendo desabafar. Mas não quero expor minhas idéias que muitas vezes nem sei se são idéias, ou apenas amontoados de coisas que fico remoendo dentro de mim. Então se ninguém acredita em nada porque tenho eu que acreditar e planejar alguma coisa pra que nada morra. Parece que é melhor me enrolar com meus pensamentos, como se estivesse debaixo de um edredom, a ficar entupindo o cérebro dos outros. Sempre que resolvo arrumar as gavetas encontro pedaços de meus pensamentos e esquecidos dentro de livros. Bom, parece que escrevi foi aquele dia, porque na verdade os dias não mudam, quem muda é só nosso espírito. Minha alma, vezes tem vestes alegres, outras, não consigo nem enxergá-la. O mundo corre solto e se você não quiser ser esmagado por ele é melhor correr e se esconder. Na verdade, quando escrevo eu não escrevo pra ninguém, apenas quero esvaziar essa combustão prestes a explodir. Um vulcão de palavras que jorram esquentando o sangue que corre, ou o jato de tinta que percorre minhas veias. Já me entendi melhor quando reli pedaços de meus pensamentos encontrados nos livros. Estaria eu, despindo-me neste pensamento, ou estaria apenas perdida no espaço vip de minha memória? E se o que jorra nos impede de ser, posso então deitar e não mais respirar, pois, extravasar a felicidade é descarregar a nudez sem a intolerância dos olhos aflitos, da ‘peste’ a balbuciar procurando os meios pra se justificar. E paro só pra pensar no que fortalece minha alma até meu corpo. E, descubro que eu faria ranger os dentes novamente. Então minha alma se colore, aqueço minha tinta e extravazo novamente em mim. Se não há papel, deixo solto, às vezes, escrito na mente. Quando estou leve escrevo, se me sobrecarrego, também paro e escrevo. Nada detém a mão dos meus pensamentos. Ao dormir, consigo no despertar, reler meus traços em mente, às vezes, direciono visivelmente ou deixo perdido no dia, porque logo em seguida o meu vulcão entrará em erupção, como se eu precisasse ser dividida...

Segue-se ainda.....

Will