domingo, 29 de novembro de 2009

Olhares que Revelam

De todas as adivinhações do amor nenhuma é mais funda que a dos olhares que se atam e parece não poder desprender. O olhar aprisiona-se no mistério do outro. E fala de encontros não verbais, essenciais. Economiza tempo. Avança ou retrocede. É pelo olhar que vemos um sim, quando a boca diz não. Os olhos não mentem jamais. Não podemos enganar alguém que nos olhe diretamente nos olhos, pois eles são o espelho da alma; É por isso que, quando se ama, se quer o tempo todo olhar nos olhos da pessoa amada: para se ter controle absoluto do que se passa em seu íntimo o tempo todo. Enquanto se puder olhar nos olhos, o amor ainda existe. O olhar adentra a alma, desvenda seus mistérios, nada mais diz. Apenas concede o que a boca muda gostaria de retribuir, mas restringe-se em omissão, por pura concessão dos sentimentos que a eles doa. O amor envolve os olhares, quando as bocas selam-se no infinito de um beijo que o coração quer atingir...O tempo esvai-se no universo, nossas almas se acorrentam neste templo.Nossos corações amantes, não podemos fingir, estão presos pela chama dos olhos que nos dão respostas sem nada pedir.
E assim a alma inteira explode na intensidade do olhar de quem ama. Colhe-se aí a voz do pensamento, o resultado ímpar da cumplicidade com o outro. Olhar apaixonadamente significa expressar a combustão dos sentimentos que aquece o íntimo dos seres. Por que o olhar resume em si a forma mais simples de dizer o que muitas vezes transformar em palavras empobrece. Os amores transformam-se nos olhos das almas, muitos, diversos, completos e incompletos. Em um repente muda tudo, corre no corpo um frio arrepiante de tesão, não de prazer, não de sexo e sim de paixão. Este é o começo e o fim, aqui começa o amor...Suores e ansiedades desaparecem, olhos molhados de paixão secam, bocas se atraem como que automático, lábios colados seguem...Olhos, almas, corpos e por fim corações.Poucas palavras são ditas; gestos e sonhos somam-se a olhares mudos, tornando-se cúmplices e parceiros de vida. Seguem agora lado a lado, corpo a corpo, amor a amor. A paixão sentida esfriou, pensamentos mudam de rumo e seguem. Só ficam os amantes felizes, recostados em almas mudas fazendo vida.
Nada mais definitivo do que o olhar. É preciso olhar nos olhos para decifrar segredos, porque um olhar diz muito. Olhe nos olhos e entre em contato com o eu mais profundo das outras pessoas. Se brilhem, elas estão felizes. Se brilhem e parecem flutuar, elas amam, estão em êxtase... Ah, tem gente que disfarça? Não há disfarce que um olhar mais profundo não revele. Olhe com sua alma e atinja as verdades que outros olhares às vezes encobrem. Os olhos são janelas pelas quais a alma olha à vida. É por estas janelas que entramos em contato com o meio que habitamos. É também por eles que detectamos, encontramos, reconhecemos e nos conectamos com as almas afins. São eles os portais que levam ao coração, autênticos ao máximo, pois transmitem mensagens da alma e do coração. Assim sendo, mesmo quando a boca nega o amor sentido, o olhar diz sim, sim, mil vezes sim.O olhar é mesmo uma manifestação de intenções, silenciada num cerrar de pálpebras; uma confissão que se deixa transbordar em outro olhar. Há uma linguagem entre os olhares que desafia o entendimento da palavra. Quando olhares se encontram, há um construir de pontes, encurtam-se distâncias, porque há no sussurrar dos olhos, um desnudar de palavras que somente a voz da cumplicidade pode escutar.
Autor Desconhecido (Resumido)

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