domingo, 29 de novembro de 2009

Você me roubou de mim

Já não me pertenço. Encontro-me tão distante de mim.
Percebo que parte do meu dia, meu pensamento está preso em você.
Não encontro meu próprio coração.
Sonhos, idéias, planos e confusões, meu coração pertence a você.
Ao longo de cada suspiro, minhas lágrimas rolam, a saudade aperta e
o vazio de você dentro de mim se torna insuportável.
Você me roubou de mim. Traga-me de volta, traz você pra mim.
Fecho os olhos, e não me vejo.
Sua imagem fixada em meu pensamento se espalha em todo o meu ser.
Meu pensamento o procura, minhas palavras só falam de você,
Meu olhar o revela dentro de mim.
Estou perdida em uma distância que não consigo me encontrar,
Estou em silêncio de minhas próprias palavras.
Estou sem ar, respiro você, estou cega de mim mesma, meus olhos só vêem você.
Já não existo. Preciso de mim, preciso de ti.
Will

Olhares que Revelam

De todas as adivinhações do amor nenhuma é mais funda que a dos olhares que se atam e parece não poder desprender. O olhar aprisiona-se no mistério do outro. E fala de encontros não verbais, essenciais. Economiza tempo. Avança ou retrocede. É pelo olhar que vemos um sim, quando a boca diz não. Os olhos não mentem jamais. Não podemos enganar alguém que nos olhe diretamente nos olhos, pois eles são o espelho da alma; É por isso que, quando se ama, se quer o tempo todo olhar nos olhos da pessoa amada: para se ter controle absoluto do que se passa em seu íntimo o tempo todo. Enquanto se puder olhar nos olhos, o amor ainda existe. O olhar adentra a alma, desvenda seus mistérios, nada mais diz. Apenas concede o que a boca muda gostaria de retribuir, mas restringe-se em omissão, por pura concessão dos sentimentos que a eles doa. O amor envolve os olhares, quando as bocas selam-se no infinito de um beijo que o coração quer atingir...O tempo esvai-se no universo, nossas almas se acorrentam neste templo.Nossos corações amantes, não podemos fingir, estão presos pela chama dos olhos que nos dão respostas sem nada pedir.
E assim a alma inteira explode na intensidade do olhar de quem ama. Colhe-se aí a voz do pensamento, o resultado ímpar da cumplicidade com o outro. Olhar apaixonadamente significa expressar a combustão dos sentimentos que aquece o íntimo dos seres. Por que o olhar resume em si a forma mais simples de dizer o que muitas vezes transformar em palavras empobrece. Os amores transformam-se nos olhos das almas, muitos, diversos, completos e incompletos. Em um repente muda tudo, corre no corpo um frio arrepiante de tesão, não de prazer, não de sexo e sim de paixão. Este é o começo e o fim, aqui começa o amor...Suores e ansiedades desaparecem, olhos molhados de paixão secam, bocas se atraem como que automático, lábios colados seguem...Olhos, almas, corpos e por fim corações.Poucas palavras são ditas; gestos e sonhos somam-se a olhares mudos, tornando-se cúmplices e parceiros de vida. Seguem agora lado a lado, corpo a corpo, amor a amor. A paixão sentida esfriou, pensamentos mudam de rumo e seguem. Só ficam os amantes felizes, recostados em almas mudas fazendo vida.
Nada mais definitivo do que o olhar. É preciso olhar nos olhos para decifrar segredos, porque um olhar diz muito. Olhe nos olhos e entre em contato com o eu mais profundo das outras pessoas. Se brilhem, elas estão felizes. Se brilhem e parecem flutuar, elas amam, estão em êxtase... Ah, tem gente que disfarça? Não há disfarce que um olhar mais profundo não revele. Olhe com sua alma e atinja as verdades que outros olhares às vezes encobrem. Os olhos são janelas pelas quais a alma olha à vida. É por estas janelas que entramos em contato com o meio que habitamos. É também por eles que detectamos, encontramos, reconhecemos e nos conectamos com as almas afins. São eles os portais que levam ao coração, autênticos ao máximo, pois transmitem mensagens da alma e do coração. Assim sendo, mesmo quando a boca nega o amor sentido, o olhar diz sim, sim, mil vezes sim.O olhar é mesmo uma manifestação de intenções, silenciada num cerrar de pálpebras; uma confissão que se deixa transbordar em outro olhar. Há uma linguagem entre os olhares que desafia o entendimento da palavra. Quando olhares se encontram, há um construir de pontes, encurtam-se distâncias, porque há no sussurrar dos olhos, um desnudar de palavras que somente a voz da cumplicidade pode escutar.
Autor Desconhecido (Resumido)