sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Inevitável ao 'Ser'

Houve uma época em que o tempo parecia correr. Já não me encontrava mais parada na escada, pensando, subir ou não. As esquinas pareciam tão distantes. Quando a chuva já nem me molhava, e não era preciso despertar, pois o sono era intranquilo.
O sol pouco me aquecia e não acompanhava meus passos apressados.
Houve o tempo que era preciso falar baixinho, até meus pensamentos eram ouvidos por todos, nem eu mesma conseguia entender.
Houve um dia que eu pensei em você, e descobri que pensar me devolvia a tranquilidade que eu procurava. Neste dia esperei pelo inevitável poder que o coração teria que ter em conseguir abstrair toda a angústia do meu corpo.
Ela foi tomando jeito ao meu contorno que entre um espaço e outro não mais se esquivou.
Houve o tempo em que a saudade já não mais cicatrizava e pude então percorrer todo o espaço vazio que era deixado em meu corpo. O tempo em que não acreditei mais no humano e todas as palavras eram apenas sequências de voz.
Houve o dia em que chorei e não encontrei minhas lágrimas diante do espelho. Toda luz havia desaparecido encobrindo em sombra minha alma.
E não pude conte-las e então, chorei todas as lágrimas que censuravam meu sorriso, as que eu reprimia e todas em que me extravasava. Chorei na dor e na cura, de alegria fiz o maior ritmo compassado de minhas lágrimas e no mais profundo leito interno chorei sozinha pra esconder minha dor.
Existirá o momento em que o corpo e o meu coração terão que inculcar toda alegria e sorriso, para que não subsistem minha dor nem as lágrimas contidas em minha alma.
Haverá uma época em que o tempo se mostrará mais profundo, e as escadas me guiará com prazer.
Minha alegria será encontrada em cada esquina e dormirei em paz.
O sol alcançará meus pensamentos e não mais precisarei falar baixinho.
Ao extremo e por nenhuma força não mais gritarei que viver teria sido o melhor a se fazer.
Will

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Não desejo o amanhecer...

Eu só preciso de uma noite.
O sol não nos pertencerá e a lua nos aguardará em silêncio.
Meus desejos percorreram caminhos em busca de você.
Em desencontros já não espero pelo amanhã.
Só nesta noite em que nossos sonhos se tornarão únicos se o teu coração também
não desejar que amanheça.
Esta noite vou te amar e do amanhã não mais precisar.
Nos momentos em que nos tornaremos eternos, mergulharei em teus lábios que silenciarão minhas lágrimas.
Ouça meu chamado e chegue em silêncio.
Palavras não mais explicarão.
O tempo calou e as tornaram insignificante.
Não quero mais falar do meu amor.
Já não existem mais palavras que justificam minha espera.
Essa noite vou ficar, viver o tempo que não perdi, e cobri-lo de amor.
A lua me guiará ao teu encanto que em meu pranto, não mais o deixará partir.
A noite não acabará, e cada segundo silenciado em paixão, jamais o dia chegará em nossos corações.
Não desejarei o amanhecer... Pra sempre.
Will

domingo, 23 de agosto de 2009

As Folhas

Lá fora, um leve sopro torna-se interrupto o silêncio da noite gélida. Ainda que pela janela pudesse prestigiar nossa visão com as folhas secas ao vento. Já vencidas pela intrépida ação da natureza, não teme por onde sobrevoa.
Como não esperar pelo teu desejo, suas palavras e teu abraço em minutos de prazer que no silencio de nosso beijo, nos amamos. O amor e a saudade por onde andam? Talvez galgando por caminhos atenuantes onde neles possam se desvencilhar de todo seus temores e se fortalecer.
Dividir-se entre o frio e o silêncio da noite tendo nas mãos apenas a incerteza.
Passos frustrados oscila para alcançar sua alma gélida, enquanto o coração arfante e sem razão se encolhe com pudor.
Já caem gotas de chuva que tornam o frio desconcertante e minhas lágrimas as acompanham sem cessar.
Já não espero que esta noite termine assim. Vejo meus sonhos atravessarem a janela e partirem sem rumo junto às folhas secas ao vento.
Posso presenciar cada lágrima ser confundida com as gotas a cair pela janela.
Posso não mais ver a chuva parar, que pode nunca mais assim o meu pranto secar.
Não tive dúvidas do meu frio, das folhas caídas sem saber, de cada grito espremido no peito.
Tive saudades de correr pela chuva e sorrindo me atirando nas enxurradas que me cobriam e me deixava feliz.
Tive saudades de limpar as janelas, de enxugar o meu pranto que me fez esboroar por incansáveis noites gélidas e chuvosas.
Tive saudade de mim, quando não senti o leve sopro que o destino não evitou e queimou minhas folhas.
Will

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Desprovido de coragem

O medo, um aliado necessário para que tornemos comedidos com nossos atos e palavras.
Somos capazes de negar a verdade e atormentados diante da fraqueza nos tornam presas frágeis em nossos devaneios e loucuras.
Vivenciamos segundos que nos tornam momentos inesquecíveis, construímos castelos em cima de sonhos e desmoronamos nossos sonhos já construídos em castelos. Falamos com os olhos, e permitimos que eles ajam por nós transmitindo todo desejo de explorar cada segundo do calor sentido em cada centímetro de nossa pele. Somos capazes de perdoar nossos atos mais profanos e somos incapazes de retroceder. Os lábios se unem apenas no olhar, fazem juntos, calor e calafrio percorrerem cada centímetro do corpo como se fosse espalmado. O desejo contido de nos livrarmos dos desenganos e podermos galgarmos caminhos sem prantos e livres das mordaças que impedem nossos gritos já emudecidos pelo tempo.
O amor! Um desejo contido na presença, no olhar e na alma.
Somos desprovidos de coragem, mas somos ameaçados pelas loucuras que nos tornam intrépidos por instantes que não nos permitimos nem mesmo nossos pensamentos, que traídos nos levariam de volta ao real.
Deixemos que nossos olhos vivenciem o que se tornou incógnito pela razão de ser, mas não deixou de existir, nem mesmo pela própria razão de um 'Anjo".
Will

sábado, 15 de agosto de 2009

Como Seria

Ah! Como seria sorrir!
Se o tempo nos permitisse sorrir com os olhos da paixão
Se a saudade não trouxesse lágrimas ao coração
Na distância minha voz não emudecesse

Se fizesse de minhas atitudes, atos tão sublimes
Ah! Como seria viver!
Se os pensamentos não torturasse e nos permitisse a troca
da nossa própria respiração
E em teu beijo entregaria este louco amor
Ah! Como seria gritar!
Quebrar este silêncio pelo amor daquele olhar
Romper algemas, me libertar
E assim poder te amar
Ah! Como seria amar!
Fazer-me ouvida aos mais imperdoáveis surdos de coração
Gritar ao amor, o mais puro e sublime dos sentimentos humano
Como seria invadir meu coração, arrancar dele meus gritos de solidão
Ah! Como seria chorar!
Renderia-me ao pranto e no desencanto choraria sem culpa, sem temor
As lágrimas não nos enfraquecem
Só que ama, tem lágrimas no coração.
Will