sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não sou triste, só estou cansada!

É como empurrar a sujeira pra debaixo do tapete, esconder a alma. Cansei! De verdade, aos poucos, até de alguma coisa em mim. Cansei de olhar pra frente e ver a bagunça exposta ao lado, ou quem sabe, dentro de mim. De olhar o relógio e não ter hora marcada, de não saber o que sou, ou se mesmo sou. De achar graça com riso amarelo, de me igualar à alguma coisa que nem mesmo sei, se houve começo e haverá um fim. Um fim sem medo e sem dor. Cansei de fechar a janela pra depois reabri-la, sem ao menos querer. Talvez hoje eu queira ficar no escuro, de portas cerradas, de olho no futuro. E não sei que futuro é esse, o que há pra esperar. E esta ausência de medo, assusta, me causa medo. Medo de não ver nada, ou de olhar o que está estampado, aberto na página que tento rabiscar. Pode ser que a coragem chegue e que no auge de uma tempestade eu possa então arrancar até a página que mal consigo folhear. Meus contos, pode até não virar histórias, serão apenas relevo em mim. Me causa espanto, tudo que aos poucos perde o encanto, e toda palavra escorre, ficando apenas o eco de um som que se ouviu. Cansei de ver minhas palavras se transformarem na própria condenação, não tão subitamente, porém, uma constante morte.
Will