domingo, 30 de janeiro de 2011

Sob Medida

Cada essência, menor que seja roubada do ser humano não tem volta. Ninguém pode ser invadido, não se pode saber do outro, o que lhe apodrece ou lhe engrandece. Com nenhuma sutileza, arrancam-lhe quase tudo se tornando crosta a pele. É capaz de ver dissolvendo cada sonho, se demolindo junto a eles e se perde meio aos escombros. Numa redoma intocável, pouco assistida, a coragem para lidar com o lixo se torna um luxo irrevogável. Adormece na tentativa do que é preciso, com o nó atravessado deixar a ampulheta descer sem desejar o retorno. Como pode ser pequeno o espaço pra tão grande medida? Como poderia ter medido sem que se fosse preciso encontrar novas fórmulas de precisão?
Como pode ser tão pequeno o espaço?
Outrora, é preciso mergulhar-se nesta cor infundada, deixar-se contaminar trazendo de volta suas verdades, todas se desfazendo na luta cerrada consigo. Um contrapeso a favor de si, que reduz toda a vivacidade de alguma coisa que está por vir. Qual trajetória percorreria o homem em alguns anos, horas ou minutos? A cada segundo, um edifício se desmorona soterrando seus sonhos, não os permitindo escapar. Muitos, podem ser derrotados pelo simples desejo de potência e se tornam o resto da vulgaridade, da opressão, do olhar que pela direção ergueria o globo.
É preciso não calar, se tocar com a maior potência humana e com o olhar, erguer toda e qualquer demolição, limpar as margens. É preciso não calar, não ser surdo de si mesmo. É preciso apenas, viver.
Will

domingo, 9 de janeiro de 2011

Aplaudindo o próprio espetáculo

A se aplaudir com ênfase e saudar êxito. Crescer a partir do que sente e se elevar para ser o que é. Se doer sonhar, sonhe com mais vigor e viva plenamente a realização do mesmo. Cante mesmo chorando se o choro o satisfizer. Se teus olhos percorrem uma distância inalcançável, nada poderá fazer, mas mantenha-os abertos para aliviar as tensões da visão. Caminhe esquivando-se no íntimo outono do teu ser. Exiba movimento que não sensitiva a cor despojada do teu sorriso, e mesmo perdido, fique atento às palavras, oculte-se da gastura de tanta hipocrisia. Quanta maldade esbarrará e temerá ao se ausentar de tanta nojeira. É claro que definitivamente ninguém está no mundo para entender você. O que é necessário para sobreviver à guerra de humanos? A camuflagem? Não podemos alimentar a sede de tê-la, quando na sua chegada, nada tem volta. Ninguem se registra. E saboreando as alimentações de dizer o quanto o mundo se fere, muitos permitem serem questionados e, embora questionados, seguem espinhando todos. Calem a todos que são fáceis de serem engolidos, pois, as garras estão soltas pelo seu descuido. Delega-te o direito de revirar tua alma, sentir teu cheiro, de partir, de contetar suas cores, de olhar para trás e desejar que nada tenha volta. Delega-te o direito de ser o teu direito, de se perdoar, criticar e desejar sua singular contestação. Abra poucas frestas, saia sem jorrar, caia sem despencar. Ouça sua voz naquele momento em que seria necessário um grito, e se acalme. Um descompasso, um descontentamento em algum momento vai se agregar, mas retorne-se. Mesmo que não conheça o percurso, espere, faça a medida, e mesmo que não entenda 'jorre' por um segundo. Uma alma que permite não se questiona, não volta. Sinta saudades das vendas, do silêncio apenas. O que te faz perder a razão é descobrir o mundo e aquele silêncio que lhe dá a certeza da não existência do teu ser. Seria injusto titular o mundo cruel, quando se habita presas fáceis sob a perversidade humana, da estupidez, muitas vezes camuflada, de um sentimento empedernido. Ame lentamente, ame verdadeiramente.
Will