domingo, 7 de novembro de 2010

Em Uma Cor Que Restou

O ser humano reconhece o momento que passa a ter origem, camufla a si mesmo deixando de ser o que é em sua espécie traumatizada, de uma forma discretamente consciente. Adoravelmente egocêntricos a diferença imposta, quase imperceptível, direciona seus movimentos inconseqüentes, de uma vida posterior. O grito de alerta não é porque rejeita, apenas sente o nó da indiferença que enegrece. Ninguém cede um catre pela mera abstinência do sofrimento, mas, para o alívio da própria mente que se tornaria saturada e obstruída pelo incômodo. Ninguém cala por respeito, sacia a voz, usurpando-se lentamente numa devolução amortizada a si mesmo. Ninguém chora suas lágrimas nem oferece o ombro. O olhar que recai também enegrece na proporção que olha, e umedece em conforto. O animal que não ataca instantaneamente devora deliciosamente em silêncio. Já não há mais perdão ao humano. Já não se sabe mais quem é humano. Então, delicadamente alimenta a alma com os mesmos olhos úmidos supostamente por um desumano. Quais seriam? Meros irracionais? Qual seria o momento certo de travar a ‘peste’ que trazemos dentro da boca. Decepar a foice e atirar-lhe aos de ‘valores inversos’ para que sacie sua fome? Alguém sabe? Deixe que todos os ‘animais racionais’ se alimente da ‘peste’, das entranhas que cada vez explorou seu semelhante. Não sacie aquilo que sente, não cure sua dor, jamais fale do que é bom, não espalhe pra essa corja, uma postura elegante ao pódio. Estou cansada, e me retiro. Retiro de tudo que foi supostamente, de onde não secou linhas quentes, de onde não desferi facadas. Atiro-me neste frio cárcere, que nítido estarei atenta aos anseios dos leões e dragões famintos que demolirão sua entrada, sua tosca entrada. Não ficará sequer o passo. Levo e lavo pra que não haja retorno nem fresta. Respirar, balbuciar pausadamente para que toda confusão seja cada vez mais atordoada, atordoada até o fim. Não há respiração que não se servirá de toda negritude marcada pela inata e coerente da ambição ‘nojenta’. Da pele de cordeiro até o leão, um estúpido animal que respira, traço em um risco, no imundo som de uma voz. Enojo as palavras, o sorriso sarcástico, o olhar entediado, a espera sem preconceito, o silencio dos mudos. Enojo a dor que incomoda, a que não incomoda, da escuridão em que me meti. O adormecer fatigado ao amanhecer sem propósito, dos gritos que dei os que silenciaram. Odeio o fim do ser humano.
Tenho ódio do meu fim.
Will